segunda-feira, 12 de agosto de 2013

PARA REFLETIR - IÇAMI TIBA

EDUCANDO FILHOS

1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre.

2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar alguém com internet, som, tv, etc.

3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.

4. Confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.

5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.

6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai disse que não ganhará doce, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.

7. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.

8. Temos que produzir o máximo que podemos, pois na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio. Não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.

9. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente, pois aquela informação, de que droga faz mal, não está gerando conhecimento.

10. A gravidez é um sucesso biológico, e um fracasso sob o ponto de vista sexual.

11. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para da droga fazer uso. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'.

12. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

13. Homem não gosta quando a mulher vem perguntar: 'E aí, como foi o seu dia?'. O dia, para o homem, já foi, e ele só falará se tiver alguma coisa relevante. Não quer relembrar todos os fatos do dia..

14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.

16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se desistir ou for mal na faculdade.

17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.

18. Mães, muitas são loucas. Devem ser tratadas. (palavras dele).

19. Se a mãe engolir sapos do filho, a sociedade terá que engolir os dele.

20. Videogames são um perigo. Os pais têm que explicar como é a realidade. Na vida real, não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.

21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.

22. Pai não pode explorar o filho por uma inabilidade que o próprio pai tenha. 'Filho, digite tudo isso aqui pra mim porque não sei ligar o computador'. O filho tem que ensiná-lo para aprender a ser líder. Se o filho ensina o líder (pai), então ele também será um líder. Pai tem que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível o pai pagar para falar com o filho que mora longe.

23. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. Não há hierarquia. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.

24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que saber qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto que isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

26. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Tem que controlar e ensinar a gastar.
Você não pode evitar que os problemas batam à sua porta, mas não há necessidade de oferecer-lhes uma cadeira (Joseph Joubert)

domingo, 11 de agosto de 2013

A LUA QUE NÃO DEI - CECÍLIO ELIAS NETO

Um texto lindo para esse dia que significa tanto para muitos.

Compreendo pais - e me encanto com eles - que desejariam dar o mundo de
presente aos filhos. E, no entanto, abomino os que, a cada fim de
semana, dão tudo o que filhos lhes pedem nos shoppings onde exercitam
arremedos de paternidade.
E não há paradoxo nisso. Dar o mundo é sentir-se um pouco como Deus,
que é essa a condição de um pai. Dar futilidades como barganha de amor
é, penso eu, renunciar ao sagrado.
Volto a narrar, por me parecer apropriado à croniqueta, o que me
aconteceu ao ser pai pela primeira vez. Lá se vão, pois, 45 anos.
Deslumbrado de paixão, eu olhava a menina no berço, via-a sugando os
seios da mãe, esperneando na banheira, dormindo como anjo de carne. E,
então, eu me prometia, prometendo-lhe: 'Dar-lhe-ei o mundo, meu amor.'
E não lho dei. E foi o que me salvou do egoísmo, da tola pretensão e da
estupidez de confundir valores materiais com morais e espirituais.
Não dei o mundo à minha filha, mas ela quis a Lua. E não me esqueço de
como ela pediu, a Lua, há anos já tão distantes. Eu a carregava nos
braços, pequenina e apenas balbuciante, andando na calçada de nosso
quarteirão, em tempos mais amenos, quando as pessoas conversavam às
portas das casas. Com ela junto ao peito, sentia-me o mais feliz homem
do mundo, andando, cantarolando cantigas de ninar em plena calçada.
Pois é a plenitude da felicidade um homem jovem poder carregar um filho
como se acariciando as próprias entranhas. Minha filha era eu e eu era
ela. Um pai é, sim, um pequeno Deus, o criador. E seu filho, a criatura
bem amada.
E foi, então, que conheci a impotência e os limites humanos. Pois a
filhinha - a quem eu prometera o mundo - ergueu os bracinhos para o
alto e começou a quase gritar, assanhada, deslumbrada: 'Dá, dá, dá...'
Ela descobrira a Lua e a queria para si, como ursinho de pelúcia, uma
luminosa bola de brincar. Diante da magia do céu enfeitado de estrelas
e de luar, minha filha me pediu a Lua e eu não lha pude dar.
A certeza de meus limites permitiu, porém, criar um pacto entre pai e
filhos: se eles quisessem o impossível, fossem em busca dele. Eu lhes
dera a vida, asas de voar, diretrizes, crença no amor e, portanto,
estímulo aos grandes sonhos. E o sonho da primogênita começou a
acontecer, num simbolismo que, ainda hoje, me amolece o coração. Pois,
ainda adolescente, lá se foi ela embora, querendo estudar no Exterior.
Vi-a embarcar, a alma sangrando-me de saudade, a voz profética de Kalil
Gibran em sussurros de consolo:
'Vossos filhos não são vossos filhos, mas são os filhos e as filhas da
ânsia da vida por si mesma. Eles vêm através de vós, mas não de nós. E
embora vivam convosco, não vos pertencem. (...) Vós sois os arcos dos
quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.'
Foi o que vivi, quando o avião decolou, minha criança a bordo. No céu,
havia uma Lua enorme, imensa. A certeza da separação foi dilacerante.
Minha filha fôra buscar a Lua que eu não lhe dera.
E eu precisava conviver com a coerência do que transmitira aos filhos: 'O lar não é o lugar de se ficar, mas para onde voltar.'
Que os filhos sejam preparados para irem-se, com a certeza de ter para
onde voltar quando o cansaço, a derrota ou o desânimo inevitáveis lhes
machucarem a alma. Ao ver o avião, como num filme de Spielberg,
sombrear a Lua, levando-me a filha querida, o salgado das lágrimas se
transformou em doçura de conforto com Kalil Gibran: como pai, não dando
o mundo nem Lua aos filhos, me senti arqueiro e arco, arremessando a
flecha viva em direção ao mistério.
Ora, mesmo sendo avós, temos, sim e ainda, filhos a criar, pois família
é uma tribo em construção permanente. Pais envelhecem, filhos crescem,
dão-nos netos e isso é a construção, o centro do mundo onde a obra da
criação se renova sem nunca completar-se. De guerreiros que foram, pais
se tornam pajés. E mães, curandeiras de alma e de corpo. É quando a
tribo se fortalece com conselheiros, sábios que conhecem os mistérios
da grande arquitetura familiar, com régua, esquadro, compasso e fio de
prumo. E com palmatória moral para ensinar o óbvio: se o dever premia,
o erro cobra.
Escrevo, pois, de angústias, acho que angústias de pajé, de índio
velho. A nossa construção está ruindo, pois feita em areia movediça. É
minúsculo o mundo que pais querem dar aos filhos: o dos shoppings. E
não há mais crianças e adolescentes desejando a Lua como brinquedo ou
como conquista.
Sem sonhos, os tetos são baixos e o infinito pode ser comprado em lojas.
Sem sonhos, não há necessidade de arqueiros arremessando flechas vivas.
Na construção familiar, temos erguido paredes. Mas, dentro delas, haverá gente de verdade?
* Cecílio Elias Netto é escritor e jornalista
Publicada em 1/8/2008 no 'Correio Popular' - Campinas

sábado, 10 de agosto de 2013

JORGE KHOURY - SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO - SMED

Novo secretário dá sequência aos projetos da Educação


O professor, engenheiro e economista Jorge Khoury Hedaye, 64 anos, assumiu nesta quarta-feira (31) a Secretaria Municipal da Educação (SMED) no lugar de João Carlos Bacelar, que volta à Assembleia Legislativa para retomar sua atividade parlamentar. “Vou começar a estudar os projetos e dar sequência ao programa do prefeito ACM Neto, através de um planejamento estratégico. Entro como membro de uma equipe que precisa dar sequência ao trabalho que já vem sendo executado, a exemplo do fortalecimento do ensino em tempo integral, alfabetização de alunos até os seis anos de idade, além da requalificação da estrutura física da rede e, acima de tudo, da valorização do profissional que trabalha pela qualidade do ensino municipal”, afirmou.

Khoury disse que um dos maiores desafios é melhorar a qualidade das escolas e avançar na remuneração dos professores. “Queremos manter uma relação ainda mais próxima com a APLB porque entendemos que precisamos ter um bom diálogo para avançar nas propostas”, ressaltou o novo secretário. Representantes do sindicato, que negociam a proposta salarial com a Prefeitura, marcaram presença na solenidade de posse de Khoury, assim como o prefeito ACM Neto e o ex-chefe da pasta, João Carlos Bacelar, que transmitiu o cargo para o sucessor.

NOVAS UNIDADES – O novo secretário lembrou que a Prefeitura vai construir três novos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), beneficiando as comunidades do CIA, Jaguaribe (Piatã) e Stella Maris, com previsão de início para outubro deste ano. Cada um dos três CMEIs tem capacidade para atender a 120 alunos em tempo integral. As unidades terão oito salas de aula, sala de repouso, solarium, fraldário, playground, áreas para recreação coberta e descoberta, sanitários infantis e para pessoas com deficiência, vestiário, cozinha, lactário e sala multifuncional.

Os centros educacionais serão construídos com recursos do Programa Nacional de Reestruturação e Aparelhagem da Rede Escolar Pública de Educação Infantil (ProInfância), que destina recursos para a construção, reforma e aquisição de equipamentos e mobiliário para creches e pré-escolas públicas da educação infantil.

Além dos novos CMEIs, foi publicado no Diário Oficial da última sexta-feira (26) o aviso de licitação para a construção da Escola Municipal Aliomar Baleeiro (Nova Esperança) e da reconstrução das escolas municipais Manoel Faustino (Itacaranha) e Professora Eufrosina Miranda (Lobato) e do CMEI Tereza Helena Mata Pires (Alto do Cabrito). A previsão de início das obras também é outubro deste ano. Além destas unidades, no início de agosto a Prefeitura vai inaugurar a Municipal Antônio Euzébio (Cabula), que foi completamente reconstruída.

Bacelar diz que vai ajudar atual gestão na Assembleia

O deputado João Carlos Bacelar transmitiu hoje (31) o cargo de secretário municipal da Educação para o professor, engenheiro e economista Jorge Khoury, numa solenidade na qual foi bastante aplaudido por diretores, professores e corpo técnico da pasta, no Engenho Velho de Brotas. Em um discurso emocionado, acompanhado pelo prefeito ACM Neto, de quem é amigo de longas datas, Bacelar afirmou que deixa a pasta “com a sensação do dever cumprido”, concluindo um ciclo para “retomar a caminhada parlamentar”, dando continuidade à luta pela educação pública de qualidade na Assembleia e vislumbrando novos passos na trajetória política.

“Evoluímos bastante em vários pontos. Hoje, os salários dos professores em Salvador estão entre os melhores do Brasil. Esse ano, pela primeira vez teremos um professor em cada sala de aula. Recuperamos e ampliamos 180 escolas. Construímos 15 novas. Hoje, temos nove unidades de ensino funcionando em tempo integral. Vamos construir mais 15 escolas e reformar outras 70 ainda este ano, na gestão do prefeito ACM Neto, que tem tratado a educação como prioridade”, discursou João Carlos Bacelar.

O secretário, que pediu para deixar o cargo com o objetivo de retomar o mandato na Assembleia Legislativa, elogiou a escolha de Jorge Khoury como sucessor e afirmou que estará sempre ao lado da atual gestão, sobretudo para colaborar com os projetos na área da educação. O secretário contou ainda que o seu partido, o PTN, continua ao lado do prefeito, sem ter feito nenhuma exigência por cargos. “Nossa aliança com o prefeito é programática e voltada para o bem da cidade”, enfatizou.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

RESULTADO SELEÇÃO ALUNO ESPECIAL 2013.2 - 2ª CHAMADA - UNEB





1. Os candidatos aprovados deverão efetivar matrícula entre os dias 12 de agosto
de 2013, na Secretaria Acadêmica do PPGEduC, das 08:00h às 12:00h das 14:00h
às 17:00h. Para a efetivação da matrícula, os alunos selecionados deverão
apresentar o documento de identidade.

2. A não efetivação da matrícula implicará na eliminação do candidato, portanto,
no caso de impossibilidade de comparecimento do candidato, apresentar
procuração correspondente.

EPC006 - EDUCAÇÃO E PLURALIDADE CULTURAL-

LUCIETE DE CÁSSIA SOUZA LIMA BASTOS

CUIDADO COM OS DENTES DO GATO

Escovando os dentes do seu gato

http://www.resgatinhos.com.br/cuidados-com-os-dentes-i/
Sabemos que só a idéia de escovar os dentes do seu gato pode ser aterrorizante para algumas pessoas… principalmente para aquelas cujos gatos não são exatamente ‘cooperativos’. Mas é muito importante pelo menos tentar introduzir essa rotina nos cuidados diários do seu felino, para o bem da saúde geral dele. Vamos dar algumas dicas de como fazer isso com o mínimo de stress possível. Obviamente que quanto mais cedo começamos a acostumar o gato com a escovação, mais fácil será dele aceitar, mas isso não significa que você não consegue ensinar um gato adulto.
Antes de tentar escovar os dentes do seu gato, é importante passar por uma consulta veterinária para saber se está tudo em ordem, ou se já há algum processo de gengivite ou periodontite instalado (cerca de 80% dos gatos com mais de 4 anos apresentam problemas de saúde bucal). Caso o veterinário identifique uma periodontite, ele precisará intervir cirurgicamente. Depois da cirurgia, espere entre 7-10 dias antes de iniciar um programa de escovação.
Mantenha uma atitude otimista e vá aos poucos, e lembre-se que esse é um processo que pode levar várias semanas (sendo otimistas, uma média de 4 semanas). As sessões devem ser curtas e positivas.  Elogie o seu gato durante todo o processo, e depois ofereça uma recompensa, algo que ele goste…pode ser um petisquinho, ou mesmo deixar que ele tome água da torneira. Ah, e apare as unhas de seu felino antes, só por precaução!
  • Antes de mais nada, seu gato precisa se acostumar a ter a boca manipulada por você. Mergulhe o dedo na água que vem na latinha do atum light, em canja de galinha, ou no caldinho do sachê, que normalmente eles adoram. Chame-o com aquela voz que você usa quando vai oferecer um petisquinho a ele, e deixe que ele lamba o líquido do seu dedo. Então, esfregue gentilmente o seu dedo pelas gengivas e dentes dele. Depois de algumas sessões e com um pouco de sorte, ele provavelmente irá aguardar ansiosamente por esse pequeno ritual, e você poderá dar o próximo passo.
  • Enrole um pedaço de gaze no seu dedo e o mergulhe na água do atum ou em outro líquido. Com cuidado esfregue os dentes com um movimento circular. Repita pelo número de sessões que forem necessárias para o seu gato se sentir confortável com o procedimento. Lembre-se de elogiá-lo sempre, e manter uma atitude otimista.
  • Depois que seu gato se acostumou com a gaze com saborzinho na boca, está na hora de começar a usar uma escova de dente. Ele precisa agora se acostumar com a consistência da escova, principalmente das cerdas, então coloque alguma coisa gostosa na escova e deixe que ele lamba e mordisque, assim se acostumará com a textura. Você pode usar uma escova de dente infantil, a menorzinha que encontrar, ou uma escova específica para gatos, vendida em petshops.
  • Uma vez que seu gato se acostumou com a escova, você pode adicionar a pasta de dente. Normalmente as pastas específicas para gato (também vendida em petshops) tem sabor de frango, ou peixe, ou algum outro sabor que eles gostam. Deixe que seu gato se acostume com o sabor e a consistência da pasta de dente: coloque um pouco nos dedos, e deixe que ele lamba, e então passe um pouco de pasta sobre as gengivas dele. Elogie sempre!
  • Agora que seu gato já se acostumou com a escova e com a pasta de dente, está na hora de começar a realmente escovar os dentes dele. Converse e elogie por todo o processo. No início você pode escovar somente um ou ambos os dentes caninos (aquele grandes e afiados que ficam na frente da boca). Eles são os mais fáceis de acessar, e você pode praticar um pouco com eles. À medida que o seu gato for se sentindo mais confortável e aceitar que você fique mais tempo manipulando a boca dele, aos poucos aumente o número de dentes até conseguir escovar todos. 
  • Não é preciso escovar a parte interna dos dentes, a língua áspera do gato é suficiente para eliminar a placa nesse local. 
  • Sabemos que a vida de todo mundo é corrida, mas escovar só de vez em quando não adianta nada (vc não escova os seus dentes só de vez em quando, né?). O ideal é que os dentes do seu gatinho sejam escovados uma vez por dia.  
Fique sempre atento a qualquer sinal de problemas durante a escovação: sangue na escova, inchaço das gengivas, ou desconforto durante o processo. Entre imediatamente em contato com o seu veterinário caso observe qualquer um desses sintomas.
ATENÇÃO: NUNCA USE PASTA DE DENTE DE USO HUMANO EM PETS. Gatos não conseguem cuspir, e o flúor presente nas pastas humanas, ao ser ingerido, causa intoxicação.
Você pode potencializar o efeito da escovação usando um produto para higiene oral específico para pets, como o Aquadent. Mas lembre-se que sem a escovação não há produto que faça mágica.
Abaixo colocamos os links de dois vídeos que ilustram como escovar os dentes do seu gato. Estão em inglês, mas as imagens já dão uma boa idéia de como proceder. No segundo vídeo, mais longo, eles mostram passo a passo o processo de treinamento… e mostram também quais são as consequências de não escovarmos os dentes deles, o que será o assunto do nosso próximo post. Os gatinhos do vídeo se comportam maravilhosamente bem, é lógico, mas lembre-se que para isso acontecer, eles também tiveram que ser ensinados. Boa sorte!!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

ABCESSOS EM GATOS

Abcessos

Quem tem mais de um gato sabe que de vez em quando eles se estranham e alguns tufos de pelos voam pela casa. Isso é normal, e de modo geral tudo fica bem depois. Mas se o seu gato sai pra rua e se mete numa briga com um gato desconhecido, o que dentro de casa é só uma briguinha entre irmãos pode ter consequências bem mais sérias. Pra quem nunca viu, uma ‘briga de verdade’ entre gatos é muito, muito violenta. E os ferimentos causados em tais brigas podem muitas vezes ser fatais, se não pelo ferimento em si, pelo que pode ser transmitido através dele. Portanto, se o seu gato sai para a rua e volta (que sorte que ele voltou!) todo machucado por causa de uma briga, não desconsidere como só um ‘machucadinho’ que logo logo  sara. 
Gatos são animais territoriais, e lutam com outros gatos para estabelecer novos espaços ou para defender territórios já existentes. As feridas resultantes dessas brigas, se não tratadas de modo adequado, podem resultar em infecções extremamente debilitantes. Gatos não castrados, principalmente os machos, tendem a se meter em brigas com mais frequência. Os únicos felídeos que vivem em bando são os leões…todos os outros, inclusive o nosso gato doméstico, vivem e caçam de modo mais solitário, e só procuram companhia na época de acasalamento. Portanto, situações em que há uma maior densidade de gatos (e isso inclui muitos gatos em uma só residência) oferecem maior oportunidade de brigas e problemas comportamentais, principalmente se os animais não forem castrados.
Quais são os sinais clínicos?
As bactérias que ficam alojadas debaixo da pele após uma mordedura ou arranhadura podem multiplicar-se durante vários dias antes que se note qualquer sinal de infecção aparente. Os sinais mais comuns de infecção são o inchaço e dor no local da lesão, podendo alguns gatos apresentar também febre. Se no local da mordedura a pele ficar um pouco solta o mais provável é que se forme um abcesso (bolsa de pus) no local. Se a pele não ficar solta, como acontece nas patas ou no rabo, a infecção dissemina-se através dos tecidos, mas o inchaço pode ser menos aparente do que um abcesso. Este tipo de infecção é chamado celulite. Tanto no caso do abcesso como da celulite, o pus pode ser bastante tóxico e muito debilitante para o gato. Os locais mais freqüentes de mordeduras e arranhaduras são a face, patas, rabo e dorso.
Como é que estas infecções se desenvolvem?
Quando um cão morde, crava os dentes fechados na pele e abana a cabeça. Normalmente a pele da vítima rasga deixando uma grande laceração. Mas, quando um gato morde, os dentes atravessam a pele e largam imediatamente a vítima. Isto resulta em pequenas feridas penetrantes na pele, com buracos do mesmo diâmetro que os dentes do gato. Esses buracos fecham e virtualmente desaparecem em algumas horas, “encerrando” as bactérias da boca do gato debaixo da pele da vítima. O tipo de bactéria que vive na boca dos gatos multiplica-se em ambientes em que a concentração de oxigênio é baixa. Uma vez fechada a ferida, as bactérias podem começar a multiplicar-se a uma grande velocidade…
Os organismos mais freqüentemente envolvidos em mordeduras e arranhaduras de gatos são a Pasteurella multocida e o Streptococcus.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico de uma ferida por mordedura é normalmente direto. Por vezes, o gato é apresentado ao veterinário antes que o abcesso ou celulite sejam aparentes. A maior parte das vezes, um exame cuidadoso da pele do gato revelará a presença de feridas provocadas pela mordedura e arranhadura.
Como é que estas infecções são tratadas?
O tratamento varia. Se souber que as feridas do seu gato foram provocadas por lutas, a administração de antibióticos nas 24 horas após a luta normalmente impede a disseminação da infecção e o desenvolvimento de um abcesso. Se vários dias já se passaram após a briga, o mais certo é a formação de um abcesso. O abcesso tem que ser drenado através dos buracos da ferida ou através de uma incisão na pele. Por vezes, tem mesmo que ser colocado um dreno de látex para manter a ferida aberta e permitir que o pus drene completamente. O gato terá que tomar antibiótico, ou injetável ou oral, para completar o tratamento. O abcesso normalmente sara entre 2 a 5 dias.
Se ocorrer celulite em vez de um abcesso, a drenagem não é possível porque a infecção não está confinada a um local. Neste caso os antibióticos são o único tratamento. A celulite cura mais lentamente que um abcesso, mas normalmente em 3 a 7 dias estará curada.
Tem cura, doutor? 
As feridas por mordedura que recebem os cuidados veterinários adequados normalmente  são curadas sem complicações. Se uma ferida não sara em poucos dias é freqüentemente necessário procurar uma causa subjacente. Alguns vírus, incluindo o vírus da leucemia felina e o vírus da imunodeficiência felina, suprimem o sistema imunitário e complicam a recuperação das infecções. Deve ser realizado um teste sanguíneo para esses vírus. Se for negativo, pode ser necessária a realização de outros testes para procurar a causa da imunossupressão.
Se o ferimento em si normalmente sara rápido, a longo prazo ele pode trazer algumas consequências muito graves e às quais o tutor deve estar atento. As mordeduras são uma das principais vias de transmissão do vírus da imunodeficiência felina e o vírus da leucemia felina entre gatos (FIV e FELV). Como estes vírus se encontram em grandes concentrações na saliva de gatos infectados, as mordeduras são literalmente injeções de vírus! Portanto, ao deixar seu gato sair para rua, onde ele pode se meter (mesmo que involuntariamente) em brigas, você o está expondo a um grande risco de se contaminar com uma doença fatal.
Quando um gato tem uma ferida por mordedura e não está vacinado para o vírus da leucemia felina, é normalmente recomendado testar o gato para a presença do vírus. Demora cerca de 2 a 3 semanas até que o vírus possa ser detectado no sangue, por isso o teste apenas deverá ser efetuado nessa altura. Se este for negativo, o gato deverá ser vacinado contra esse vírus.
Ao contrário do vírus da leucemia felina, o vírus da imunodeficiência não é prevenido através da vacinação. Devido ao longo período de incubação, o teste para o vírus pode não ser positivo durante vários meses, ou mesmo anos. Assim, testar o gato para este vírus passadas 3 semanas não é muito significativo. Mas, se o gato já esteve envolvido noutras lutas, o teste para o vírus pode detectar uma infecção que começou alguns meses antes.
Um outro problema que pode acontecer é o aparecimento de miíase, também conhecida como bicheira. Se o ferimento não for tratado e infeccionar, o pus secretado irá atrair moscas. Elas irão depositar seus ovos no local, e quando as larvas nascerem irão se alimentar do hospedeiro. O caso do gato Vitório é um exemplo típico do que pode acontecer em um caso extremo de ferimento não tratado, leia aqui. Para um ferimento atingir o estágio que chegou no Vitório, o descaso e descuido do proprietário podem ser classificados como maus-tratos, e ele merece ir pra cadeia!
Estas infecções podem ser transmitidas aos humanos?
Se tiver contato com o pus que drena da ferida, a lavagem vigorosa da pele deve ser o suficiente. Os organismos bacterianos das feridas por mordeduras de gatos são potencialmente infecciosos para os humanos se estes tiverem uma ferida aberta na pele (local de entrada para as bactérias). Normalmente, o risco é mínimo.
Sempre que uma pessoa for mordida por um animal, ela deve consultar um médico imediatamente.
Como é que se pode evitar as lutas e infecções?
A castração do gato macho pode fazer a diferença em diminuir ou eliminar o problema das infecções por mordedura. Os gatos castrados podem defender o seu território pré-existente, mas normalmente não procuram expandi-lo, contentando-se com uma pequena área à volta ou dentro da sua casa. Mas, se o seu território for invadido por outro gato, eles defendem-no lutando. As gatas, tanto as inteiras como as castradas, também defendem o seu território.
A manutenção dos gatos dentro de casa (indoor) e longe de outros gatos, pode ajudar a resolver este problema. Na verdade, é a melhor solução.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

VISITA NAS UNIDADES PRISIONAIS

http://br.noticias.yahoo.com/eles-assistem-tudo--depois-%C3%A9-a-vez-deles-130232554.html

“Meu filho não é bandido. Ele tem apenas 5 anos e o Estado quer castigá-lo como castiga o pai, que já está preso e pagando pelo que fez”. A frase, carregada de indignação, é pronunciada com punhos cerrados sobre a mesa, pela paulistana A., mãe de dois filhos, profissional de vendas e estudante de direito. O marido foi preso há 3 anos e, desde então, a cada dois ou três meses, ela leva o filho R. para ver o pai.

Mais na Pública:
Nicinha e o sindicato rural dirigido apenas por mulheres
Graciete carrega na carne bala dos assassinos de seu paiTodas as vezes, na revista da entrada, ela e o filho passam pelo mesmo ritual:

“Nós entramos em um box, eu tiro toda a roupa, tenho que agachar três vezes, abrir minhas partes íntimas para a agente penitenciária, sentar em um banquinho metálico detector de metais, dar uma volta com os braços para cima e às vezes me mandam tossir, fazer força, depende de quem está revistando. Meu filho assiste tudo. Quando preciso abrir minhas partes íntimas, peço para ele virar de costas”, diz.

“Então chega a vez dele. Na penitenciária onde o pai esteve antes de ser transferido, as agentes passavam a mão por cima da roupa, mas quando T. foi transferido para um CDP aqui da capital paulista, a revista do meu filho mudou. Da primeira vez, a agente pediu para eu tirar toda a roupa dele. Eu achei estranho, disse que isso nunca tinha acontecido e ela respondeu que eram normas de lá.  De luvas, ela tocou no ombro meu filho para que ele virasse, para ela ver dos dois lados, sacudiu suas roupinhas. Na hora eu disse ‘Não toca no meu filho. Você sabe que não pode fazer isso’. Ela ficou quieta e eu não debati, porque queria entrar logo, meu filho estava sem ver o pai há meses. O R. não sabe que o pai está preso, eu digo que ele trabalha lá empurrando aqueles carrinhos de comida que ficam na porta. Quando pergunta sobre as grades e as muralhas, eu digo que é para ninguém roubar ele de mim. Neste dia, quando ela pediu para tirar a roupa dele, eu disse: ‘Filhão, lembra que você teve catapora? A gente precisa tirar sua roupa para ver se você ainda tem, para não passar para o papai, tá bom?’ Ele disse ‘Tá bom mamãe, mas eu não tenho mais catapora”.

A. explica que ficou muito incomodada com aquilo. “O ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] diz que se uma mãe fizer seu filho passar por uma situação vexatória, de humilhação, deve pagar por isso. Mas o Estado, que criou essas leis, pode fazer meu filho passar por humilhação? Qual o sentido disso?” questiona. Ela conta que já quiseram até fazer seu filho passar sozinho pela revista masculina, com apenas 4 anos de idade, o que ela negou e conseguiu reverter. A situação ficou insustentável quando, num outro dia de visita, a mesma agente que havia feito o menino tirar a roupa, pediu para que além de ficar nu mais uma vez, R. levantasse os braços e desse uma volta.

“Ela fez igualzinho a revista de adultos e aquilo acabou comigo. Na hora eu perguntei se ela conhecia o ECA, se sabia que o que estava fazendo era crime e ela disse que não. Eu mandei chamar o coordenador do plantão, olhei bem para eles e disse ‘quero que vocês saibam que na segunda-feira vou processar o Estado pelo que vocês estão fazendo com o meu filho. O Estado vai prestar contas”, avisou.

Cada presídio uma sentença

A. procurou a Defensoria Pública de São Paulo, que abriu um procedimento junto à Corregedoria dos Presídios da Capital, pedindo que o caso fosse apurado e que o filho não precisasse mais passar por este tipo de revista, considerada vexatória, para ver o pai. Pediu também que fossem apuradas várias denúncias de revistas vexatórias de crianças e adolescentes nas unidades prisionais do Estado.

No processo, o diretor da unidade onde o pai de R. está, não nega que a revista íntima da criança tenha acontecido e diz que o procedimento é padrão. No mesmo documento, duas promotoras de justiça do Ministério Público de São Paulo dão determinações diferentes: uma diz que o pedido não merecia acolhimento já que todos são submetidos à revista por motivos de segurança e outra recomendou que as instituições penitenciárias não submetessem mais crianças e adolescentes a qualquer tipo de revista vexatória. O processo foi arquivado por falta de provas. A. e o filho R. não chegaram a ser ouvidos. “Eu pedi para ser ouvida. Pedi para que ouvissem meu filho. Mas nós fomos totalmente ignorados” lamenta A.

Patrick Cacicedo, coordenador do Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria, que hoje recorre da decisão de arquivamento do processo de A., abriu um processo paralelo contra o Estado, para que indenize o menino R. Ele explica que não existe hoje no país uma lei específica sobre a revista. “Existe uma resolução do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária que diz que a revista manual íntima só pode ser autorizada em casos de fundada suspeita de que o revistando é portador de objeto ou substâncias proibidos legalmente e que deverá ter caráter objetivo, diante de fato identificado registrado pela administração, em livro próprio e assinado pelo revistado. Não é isso que se vê hoje nos presídios de São Paulo. Não existe qualquer norma que permita a revista de forma íntima e vexatória. Aqui a revista manual, íntima acaba sendo utilizada sempre, tanto para adultos quanto para crianças”, diz o defensor público.

A mesma resolução da CNPCP estabelece que a revista deveria ser feita de forma eletrônica – através de detector de metais, raio X e outros – na maioria dos casos. Em São Paulo, o Regimento Interno Padrão da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) diz que os agentes podem fazer revistas íntimas “quando necessário” e “em local reservado, por pessoa do mesmo sexo, preservadas a honra e a dignidade do revistado”.

No caso das crianças e adolescentes a revista manual é ainda mais grave, de acordo com o defensor: “Tocar em uma criança e fazer com que ela passe por situação constrangedora já fere o ECA de cara”, diz, referindo-se ao artigo 18 do Estatuto que estabelece: “É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”.

A. diz que continua levando o filho para ver o pai a cada dois ou três meses, mas que nas últimas vezes o menino resolveu que não vai mais tirar a roupa e diz para as agentes que “elas já sabem que ele não tem mais catapora e por isso não precisa ficar pelado de novo”. “Se a agente for bacana, entende a situação e só apalpa por cima da roupa. Outras já são grosseiras e mandam tirar de qualque jeito, aí tenho que inventar outra história para ele” diz A.

“Essa prática é totalmente ilegal, inconstitucional e das mais graves violações de direitos humanos que existem no Brasil”, denuncia Patrick. “O objetivo dessas revistas vexatórias é que as pessoas não visitem mais seus parentes. Que não vejam todas as violações de direitos humanos que acontecem lá dentro. Você passa a punição para a família e o Estado usa de vários mecanismos para isso” acredita. “E o meio não atinge o fim porque se você faz essas revistas para que não entrem drogas e armas e celulares e estes  continuam entrando, é porque não está adiantando”.

A SAP foi procurada diversas vezes pela reportagem para se pronunciar a respeito das denúncias mas informou não ter nada a dizer sobre o assunto e que desconhecia tais denúncias. O Ministério Público Estadual também não quis se pronunciar a respeito.

Depoimentos doloridos

Na sala da casa da líder comunitária Andreia Ferreira, em um bairro da periferia de Praia Grande, funciona como uma espécie de ouvidoria informal para as famílias de presidiários do litoral de SP. Por ali, é comum chegar, a qualquer hora do dia, pessoas que passaram por alguma situação constrangedora durante o acesso aos presídios. Na manhã do dia 12 de julho, várias mulheres se instalavam nos sofás e cadeiras distribuídas pela sala, para contar suas histórias. Após um longo silêncio, os depoimentos começam a surgir de forma tímida depois que elas foram avisadas de que suas identidades seriam guardadas.

A dona de casa M., de 24 anos, segurava a filha de 9 meses no colo, enquanto o outro filho, de 3 anos, desconfiado, brincava com a barra de sua saia. O garoto nasceu antes do pai, também de 24 anos, ir para o CDP de Praia Grande há pouco mais de dois anos. A segunda gravidez de M. aconteceu durante uma visita íntima na cela do companheiro. Durante a gestação, ela não deixou de visitar o marido. “A gente passa todo esse tempo sendo revistada e não se acostuma nunca com o jeito que eles fazem isso. É falta de dignidade” diz antes de detalhar o procedimento. “Eu vou para uma sala pequena com outras quatro, cinco mulheres. Na frente dos meus filhos, eu tiro a roupa e agacho três vezes com as pernas abertas. Depois, sento em um banco de metal, que serve pra ver se tem coisa guardada dentro de mim. O menino observa tudo”. Então, é a vez do garoto. Para que o menino não fique assustado, M. costuma inventar uma história, de que aquilo é um exame médico ou que as carceireiras estão procurando um objeto perdido entre as roupas do filho. “Elas [carcereiras] não tocam em mim, mas sempre passam a mão no corpo dele. Tocam em todas as partes, por cima da roupa”. O jeito com que a revista é feita, diz ela, depende de cada funcionária. “Tem umas mais educadas, outras mais estúpidas, que gritam, ficam apressando. Às vezes, até xingam. Da minha menor, eu tenho que tirar a fralda, mostrar para a carcereira e depois vestir a menina de novo. Só depois disso passamos pelo detector de metais e vamos para o pátio onde marido está esperando a gente”. Uma vez, a revista de M. não terminou nos habituais 15 minutos. Isso porque uma agente penitenciária achou que a moça escondia drogas na vagina. Para confirmar a suspeita, M. foi levada para o PS, junto com os filhos. “Queriam que os médicos examinassem dentro de mim para ver se eu tinha droga. Fiquei das 11h às 16h, esperando alguém para fazer isso. Nenhum médico quis. Decidiram então só me colocar em uma sala de Raio-X. Não tinha nada escondido. Me deixaram ir embora, mas não me permitiram ter uma cópia do exame que fizeram em mim” lembra.

Depois da condenação, o marido de M. foi transferido para um presídio no interior de São Paulo. Mas a distância e o incomodo que disse sentir ao ver os filhos sendo revistados não são obstáculos para visitar o companheiro. “Vou continuar levando eles pra ver o pai. Eu vou fazer assim: um mês eu levo. Outro mês não. Meu marido pede pra ver os filhos”.

Mãe, você tá pelada?

Heidi Cerneka, do Instituto Terra Trabalho e Cidadania e da coordenação da Pastoral Carcerária de São Paulo, já ouviu muitos depoimentos como esse: “Segundo a Constituição, a pena não pode passar da pessoa do preso, mas o que a gente vê hoje é o contrário. Com estas humilhações, a família acaba não indo mais visitar ou o próprio preso pede para não ir. E a lei garante o vínculo familiar. Sem a visita, você garante como? Por carta? Que é violada e lida antes?”

Para Heidi, muitas mulheres acabam se convencendo de que aquela é uma situação tolerável para não sofrerem ainda mais: “São pessoas que vivem cotidianamente com violações. Para elas essa é só mais uma violação. Muitas se convencem de que não é nada para conseguirem aguentar. Porque ficar indignada e horrorizada toda semana é dificil. Você tem dois trabalhos: se indignar e desindignar, porque se ela entra chorando, o preso fica agitado. E a maioria não sabe o que fazer, a quem recorrer”.

D., de 21 anos, cunhada de M., também tem um marido preso no CDP de Praia Grande. Ela conta que ela e o filho passam pelo mesmo procedimento de revista narrado por M. “É constrangedor por causa da ignorância das carcereiras. Elas têm que passar a mão no corpo do menino e eu não acho que deveria ser assim, porque é criança. Né? Meu filho entende tudo, me pergunta: ‘Mãe, você tá pelada?’ Quando é revistado, ele tenta afastar a mão da carcereira, fica com um olhar assustado. Na escola, a professora me disse ele imita pros coleguinhas como eu faço quando sou revistada. Abaixa e levanta, abaixa e levanta…isso já ficou marcado na cabeça dele”.

Em uma das visitas, uma agente penitenciária avisou que o filho de P., esposa de outro preso, não poderia entrar com o tênis de pisca-pisca na parte traseira. “Eu retruquei, disse que o moleque já tinha entrado outras vezes com o calçado, mas ela não cedeu. Precisei sair e rasgar o tênis para tirar o pisca-pisca. O menino chorou, porque o tênis era novinho”.

“Criança maiorzinha, com uns 10 anos, já passa sozinha na revista. O menino vai para uma fila e a mãe para outra. E não tem jeito. Se discutir não entra, e ainda corre o risco de ficar suspensa da visita”, relata ainda P.

Sentada em uma cadeira no canto da sala, E., de 14 anos, ouve em silêncio o relato das mulheres durante quase três horas. Quando decidiu se manifestar, a voz saiu fraca e as lágrimas lavaram seu rosto. Desde criança, a jovem visita o pai na cadeia. “Não me lembro como eles faziam a revista quando eu menor. Só não esqueço dos xingamentos”, conta a jovem, chorando. Na fila, ela conta que sempre fica à frente da avó, mas nem sempre as duas entram juntas na sala para serem revistadas.

A adolescente passa pelos mesmos procedimentos pelos quais as mulheres mais velhas são submetidas. “Me sinto mal de ficar nua com um monte de mulher que não conheço. A cada 15 dias, preciso passar por essa situação. Uma vez, a carcereira me acusou de estar escondendo alguma coisa no sutiã. Ela me fez rasgar ele para provar que não tinha nada. Me sentia constrangida, com vergonha. Mas segurei o choro, porque tinha medo de não conseguir entrar para ver meu pai”.