segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

CORTAR O TEMPO...


Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente ". 
                                                                                      (Carlos Drummond de Andrade)

(12 FATIAS, CADA FATIA UM SABOR SURPRESA...)

CORTAR O TEMPO...



Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente ". 
                                                                                      (Carlos Drummond de Andrade)

(12 FATIAS, CADA FATIA UM SABOR SURPRESA...)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

FILMES SOBRE PSICANÁLISE

Esta lista traz 10 filmes que tratam de maneira variada sobre o tema e a relação entre analistas e pacientes.

1.  
Um Método Perigoso (o Dr. Carl Jung - Michael Fassbender - assume o desafio de tratar uma paciente bela e desequilibrada - a exagerada Keira Knightley - através da análise, método utilizado pelo seu mestre, o célebre Sigmund Freud - Viggo Mortensen. -, a quem pede ajuda. ambos se envolvem no tratamento com visões divergentes, acentuadas por suas diferenças pessoais. dirigido por David Cronenberg com roteiro de Christopher Hampton, é um filme difícil, mas palpitante sobre o início da psicanálise)

2.  
Divã (Lília Cabral é uma mulher de 40 anos, estabilizada, bem casada e com dois filhos, que resolve, por curiosidade, procurar um analista. aos poucos ela descobre suas próprias  insatisfações, a necessidade de se conhecer melhor e a vontade de aproveitar cada momento, realizando sonhos e desejos sublimados. grande sucesso do cinema - e do teatro - nacional, que deve ter uma continuação em breve)

3.  
Equus (Richard Burton é um psiquiatra que investiga os cruéis ferimentos cometidos nos olhos de seis cavalos, por um rapaz de dezessete anos - Peter Firth -, trabalhador do estábulo. à medida que desenvolve a terapia, o analista expõe os demônios da mente do rapaz, único filho de um pai austero e uma mãe carinhosa e muito religiosa. belíssimo trabalho de Sidney Lumet de 1977, sobre um roteiro de Peter Schaffer, baseado em sua própria peça, sucesso até hoje) 

4.  
Nosso Querido Bob (Richard Dreyfuss é um renomado psiquiatra, que acaba de lançar um livro e vai sair de férias com a família. um de seus pacientes - Bill Murray -, um obsessivo compulsivo, mas simpático e manipulador resolve segui-los, por ser extremamente inseguro e dependente da sua terapia. a família simpatiza com ele, mas o médico quase enlouquece. ótima comédia de Frank Oz, sobre o pesadelo de todo analista)

5.  
O Sexto Sentido (ao voltar para casa após ter recebido um prêmio, um psicólogo infantil - Bruce Willis - e sua esposa são acuados por um ex-paciente dele, que o acusa de ter falhado e atira contra eles. meses mais tarde, ele começa a trabalhar com um novo paciente, um garoto de nove anos, que afirma ver fantasmas. de longe, o melhor filme de M.Night Shayamalan)

6.  
Gente como a Gente (após a morte acidental do irmão mais velho, um adolescente, sentindo-se culpado, tenta o suicídio. depois de quatro meses hospitalizado, retorna à vida familiar e à escola. a contragosto, ele inicia uma nova terapia, com um psiquiatra - o ótimo Judd Hirsch -,que vai trazer à tona os conflitos familiares. com sua mãe - Mary Tyler Moore -, que procura manter as aparências, envergonhada pela tentativa de suicídio do mais novo, a quem no fundo culpa pela perda do filho favorito. já o pai - Donald Sutherland - tenta manter a família unida. belíssimo drama, merecedor de 4 Oscars: filme, diretor - Robert Redford, roteiro e ator coadjuvante - Timothy Hutton)

7. 
 Habemus Papam (Michel Picoli é eleito o novo papa, mas sofre um ataque de pânico, quando deveria ser anunciado na varanda da praça de São Pedro. os cardeais decidem chamar em segredo um psicanalista ateu para convencê-lo a aceitar o cargo. um ótimo filme do grande Nanni Moretti)

8.  
Agnes de Deus (num convento do Canadá, uma jovem freira - Meg Tilly - dá à luz a um filho, que é encontrado enforcado pelo cordão umbilical na lata de lixo de seu quarto. a situação é levada à justiça, que designa ma psiquiatra - Jane Fonda - para analisar o estado mental a garota. nas sessões, a analista tenta descobrir as razões do ato e acaba batendo de frente com a madre superiora - Anne Bancroft -, que acredita que a freira foi tocada por deus e quer poupá-la da investigação. ótimo filme de Norman Jewison, baseado numa peça de sucesso)

9.  
Um Divã Para Dois (um casal de meia-idade - os ótimos Meryl Streep e Tommy Lee Jones -, vive um relacionamento morno, sem nem lembrança de sexo. a esposa inconformada fica sabendo de um terapeuta de casais - Steve Carell -, especializado em casos assim e inscreve ambos para um período de imersão no divã do psiquiatra, conseguindo arrastar o marido contra a vontade. um bom drama, com ótimos atores. maduro, crível e sincero)

10.  
A Máfia no Divã (um rude chefão da máfia novaiorquina - Robert DeNiro - começa a sentir ataques de ansiedade e resolve consultar-se com um renomado terapeuta - Billy Crystal. mas o faz secretamente, para que ninguém ache que ele ficou "frouxo" e dá duas semanas de prazo para o psiquiatra "consertá-lo", data de uma grande reunião das famiglias. divertido 

Menções honrosas: Histeria, Terapia do Amor, Família Soprano, Sessão de Terapia, Ensina-me a Viver, O Príncipe das Marés, Instinto Fatal, Gênio Indomável, Uma Mente Brilhante, Halloween, Zelig, Vanila Sky, 50%, Quando Fala o Coração, Desejos, O Silêncio dos Inocentes, K-Pax, O Quatrto do Filho,...

http://listasde10.blogspot.com.br/2013/05/10-filmes-sobre-psicanalise.html

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

LEONARDO BOFF


Um dia, o Filho de Deus quis saber como andavam as crianças que outrora, quando andou entre nós,“as tocaca e as abençoava” e que dissera:”deixai vir a mim as criancinhas porque delas é o Reino de Deus”(Lucas 18, 15-16).
À semelhança dos mitos antigos, montou num raio celeste e chegou à Terra, umas semanas antes do Natal. Assumiu a forma de um gari que limpava as ruas. Assim podia ver melhor os passantes, as lojas todas iluminadas e cheias de objetos embrulhados para presentes e principalmente seus irmãos e irmãs menores que perambulavam por aí, mal vestidos e muitos com forme, pedindo esmolas. Entristeceu-se sobremaneira, porque verificou que quase ninguém seguira as palavras que deixou ditas:”quem receber qualquer uma destas crianças em meu nome é a mim que recebe”(Marcos 9,37).
E viu também que já ninguém falava do Menino Jesus que vinha, escondido, trazer na noite de Natal, presentes para todas as crianças. O seu lugar foi ocupado por um velhinho bonachão, vestido de vermelho com um saco às costas e com longas barbas que toda hora grita bobamente:”Oh, Oh, Oh…olhem o Papai Noel aqui”. Sim, pelas ruas e dentro das grandes lojas lá estava ele, abraçando crianças e tirando do saco presentes que os pais os haviam comprado e colocado lá dentro. Diz-se que  veio de longe, da Finlândia, montado num trenó puxado por renas. As pessoas haviam esquecido de outro velhinho, este verdadeiramente bom: São Nicolau. De família rica, dava pelo Natal presentes às crianças pobres dizendo que era o Menino Jesus que lhes estava enviando. Disso tudo ninguem falava. Só se falava do Papai Noel, inventado há mais de cem anos.
Tão triste como ver crianças abandonadas nas ruas, foi perceber como elas eram enganadas, seduzidas pelas luzes e pelo brilho dos presentes, dos brinquedos e de mil outros objetos que os pais e as mães costumam comprar como presentes para serem distribuidos por ocasião da ceia do Natal.
Propagandas se gritam em voz alta, muitas enganosas, suscitando o desejo nas crianças que depois correm para os pais, suplicando-lhes para que comprem o que viram. O Menino Jesus travestido de gari, deu-se conta de que aquilo que os anjos cantaram de noite pelos campos de Belém”eis que vos anuncio uma alegria para todo o povo porque nasceu-vos hoje um Salvador…glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa-vontade”(Lucas 2, 10-14) não significava mais nada. O amor tinham sido substituído pelos objetos e a jovialidade de Deus que se fez criança, tinha desaparecido em nome do prazer de consumir.
Triste, tomou outro raio celeste e antes de voltar ao céu deixou escrita uma cartinha para as crianças. Foi encontrada debaixo da porta das casas e especialmente dos casebres dos morros da cidade, chamadas de favelas. Ai o Menino Jesus escreveu:
Meus queridos irmãozinhos e irmãzinhas,
Se vocês olhando o presépio e virem lá o Menino Jesus e se encherem de fé de que ele é o Filho de Deus Pai  que se fez um menino, menino qual um de nós e que Ele é o Deus-irmão que está sempre conosco,
Se vocês conseguirem ver nos outros meninos e meninas, especialmente nos pobrezinhos, a presenca escondida do Menino Jesus nascendo dentro deles.
Se vocês fizerem renascer a criança escondida nos seus pais e nas pessoas adultas para que surja nelas o amor, a ternura, o carinho, o cuidado e a amizade  no lugar de muitos presentes.
Se vocês ao olharem para o presépio descobrirem Jesus pobremente vestido, quase nuzinho e lembrarem de tantas crianças igualmente pobres e mal vestidas e sofrerem no fundo do coração por esta situação desumana e se decidirem já agora, quando grandes, mudar estas coisas para que nunca mais haja crianças chorando de fome e de frio,
Se vocês repararem nos três reis magos com os presentes para o Menino Jesus e pensarem que até os reis, os grandes deste mundo e os sábios reconheceram a grandeza escondida desse pequeno Menino que choraminga em cima das palhinhas,
Se vocês, ao verem no presépio todos aqueles animais, como as ovelhas, o boi e a vaquinha pensarem que o universo inteiro é também iluminado pela Menino Jesus e que todos, galáxias, estrelas, sois, a Terra  e outros seres da natureza e nós mesmos formamos a grande Casa de Deus,
Se vocês olharem para o alto e virem a estrela com sua cauda e recordarem que sempre há uma Estrela como a de Belém sobre vocês,  iluminando-os e mostrando-lhes os melhores caminhos,
Se vocês  aguçarem bem os ouvidos e escutarem a partir dos sentidos interiores, uma música celestial como aquela dos anjos nos campos de Belém que anunciavam paz na terra,
Então saibam que sou eu, o Menino Jesus, que  está chegando de novo e renovando o Natal. Estarei sempre perto de vocês, caminhando com vocês, chorando com vocês e brincando com vocês até aquele dia em que chegaremos todos, humanidade e universo, à Casa do Pai e Mãe de infinita bondade para sermos juntos eternamente felizes como uma grande família reunida.
                                    Belém, 25 de dezembro do ano 1.
                                    Assinado: Menino Jesus

sábado, 16 de novembro de 2013

MIA COUTO

O que faz andar a estrada?
É o sonho. Enquanto a gente sonhar
A estrada permanecerá viva.
É para isso que servem os caminhos,
Para nos fazerem parentes do futuro
MIA COUTO
No livro "Terra Sonâmbula"

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Entrelaçamentos - educação, cultura e pessoas com deficiência.

 FEUSP conferência -

DIAS 21/11/2013 - 28/11/2013



Ciclo de conferências que têm como finalidade abordar o entrelaçamento que se estabelece em espaços eminentemente constituídos por acervos culturais a partir da relação entre cultura, educação e pessoas com deficiência.

mais informações: http://www3.fe.usp.br/secoes/inst/novo/eventos/detalhado.asp?num=1734

terça-feira, 12 de novembro de 2013

II Seminário Internacional sobre surdocegueira e deficiência múltipla sensorial

DIAS 25/11/2013 - 26/11/2013

local do evento: FEUSP

Este seminário pretende divulgar aspectos teórico-conceituais a respeito da Síndrome de CHARGE. Propõe uma discussão a respeito da cognição tátil na atuação junto a pessoas com surdocegueira ou deficiência múltipla sensorial. Propicia vivência a respeito da educação física com pessoas surdocegas. 

Mais informações: http://www3.fe.usp.br/secoes/inst/novo/eventos/detalhado.asp?num=1727

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

DEFESA DE MESTRADO DE JULIA BORGES ANACLETO

TEMA:

 "O papel do Outro na aquisição da escrita pela criança: O construtivismo na alfabetização e a psicanálise". 
Orientador: Leandro de Lajonquière.

Data e local: segunda-feira, 18 de novembro, às 10h, na FEUSP.

Banca: Daniel Revah, Silvia Gasparian Colello e Leandro de Lajonquière.

O tema é muito instigante, vale a pena torcer para que logo seja publicado para que aqui todos possam ter acesso.


domingo, 10 de novembro de 2013

SONETO DO AMIGO - VINÍCIUS DE MORAES



Enfim, depois de tanto erro passado Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

sábado, 9 de novembro de 2013

3 MINUTOS COM BAUMAN: AS AMIZADES DE FACEBOOK

(em recortes por  em 22 de out de 2013 às 13:56)


Sociólogo polonês preocupado em compreender a sociedade pós-moderna, Zygmunt Bauman, 87 anos, autor de vários livros em que explica as relações sociais na contemporaneidade, comenta em 3 minutos, em uma de suas conferências que foi concedida para o Fronteiras do Pensamento, porquê nossas relações de amizade no facebook são tão atrativas, fáceis e superficiais.

"Um viciado em facebook me confessou - não confessou, mas de fato gabou-se - que havia feito 500 amigos em um dia. Minha resposta foi: eu tenho 86 anos, mas não tenho 500 amigos. Eu não consegui isso!

Então, provavelmente, quando ele diz "amigo", e eu digo "amigo", não queremos dizer a mesma coisa, são coisas diferentes. Quando eu era jovem, eu não tinha o conceito de redes, eu tinha o conceito de laços humanos, comunidades... esse tipo de coisa, mas não de redes.
Qual a diferença entre comunidades e rede?
A comunidade precede você. Você nasce em uma comunidade. De outro lado temos a rede, o que é uma rede? Ao contrário da comunidade, a rede é feita e mantida viva por duas atividades diferentes: conectar e desconectar.
o-ZYGMUNT-BAUMAN-facebook.jpgZygmunt Bauman
Eu penso que a atratividade desse novo tipo de amizade, o tipo de amizade de facebook, como eu a chamo, está exatamente aí: que é tão fácil de desconectar. É fácil conectar e fazer amigos, mas o maior atrativo é a facilidade de se desconectar.
Imagine que o que você tem não são amigos online, conexões online, compartilhamento online, mas conexões off-line, conexões reais, frente a frente, corpo a corpo, olho no olho. Assim, romper relações é sempre um evento muito traumático, você tem que encontrar desculpas, tem que se explicar, tem que mentir com frequência, e, mesmo assim, você não se sente seguro, porque seu parceiro diz que você não têm direitos, que você é sujo etc., é difícil.
Na internet é tão fácil, você só pressiona "delete" e pronto, em vez de 500 amigos, você terá 499, mas isso será apenas temporário, porque amanhã você terá outros 500, e isso mina os laços humanos."
 http://lounge.obviousmag.org/canteiro/2013/10/3-minutos-com-bauman-as-amizades-de-facebook.html

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

NEUROPSICOLOGIA: Síndromes amnésticas e outras formas de demência


As síndromes amnésticas resultam, particularmente, de desconexão entre os córtices primários e suas áreas de associação e os componentes do sistema límbico como córtex temporal medial e anterior, órbito-frontal e parietal posterior, hipotálamo, hipocampo, tálamo, amígdala e giro do cíngulo. Várias condições neurológicas como infartos, epilepsia, encefalopatias metabólicas e infecciosas, processos desmielinizantes e degenerativos cursam com lesões em diferentes estruturas e subsistemas, determinando diferentes tipos de síndromes amnésticas.
Doença Amnéstica Progressiva
Doença de Alzheimer

O tipo característico de doença amnéstica progressiva é a Doença de Alzheimer (DA), degeneração cognitiva adquirida mais comum e principal causa de demência nos países ocidentais. A manifestação clínica inicial é o déficit insidioso de memória para fatos recentes com deterioração progressiva de outras funções cognitivas como distúrbios de linguagem, raciocínio, desorientação vísuo-espacial, sugerindo disfunção de predomínio têmporo-parietal. Evolui com demência progressiva determinando a restrição ao leito e óbito após período aproximado de 8 a 10 anos.
Ambos os sexos são afetados igualmente.
Estudos anátomo-patológicos revelam atrofia cortical e dilatação ventricular atribuídas a perda neuronal. Embora essas alterações também sejam observadas no idoso normal, são mais intensas na DA, onde há envolvimento cortical preferencial dos lobos temporais de modo mais extenso e de progressão mais rápida. A formação hipocampal é característicamente acometida na DA, com conseqüente dilatação dos cornos temporais dos ventrículos laterais e proeminência das fissuras silvianas e hipocampais. A microscopia revela redução da população neuronal, novelos neurofibrilares, placas neuríticas, degeneração granulovacuolar dos neurônios e angiopatia amilóide, alterações particularmente acentuadas na formação hipocampal.
Doenças degerativas menos freqüentes como a demência por corpúsculos de inclusão de Lewy (DCL e degenerações corticais inespecíficas também podem ser consideradas doenças amnésticas progressivas, apresentando aspectos neuropsicopatológicos e de imagem semelhantes ao da DA.
Atrofia cortical generalizada com alargamento dos sulcos desproporcionalmente acentuado nos lobos temporais e hipocampo associada a dilatação ventricular não hipertensiva são as características de imagem essenciais para o diagnóstico in vivo de DA.
As alterações estruturais focais dos lobos temporais, especialmente a atrofia, são a primeira manifestação de imagem da doença. Podem ser assimétricas e incluem a dilatação dos cornos temporais dos ventrículos laterais e atrofia medial e lateral dos lobos temporais, presentes em, virtualmente, todos os pacientes com DA. Cerca de 45% dos idosos normais podem apresentar tais alterações de modo leve a moderado. Na DA, entretanto, a atrofia evolui de modo progressivamente mais rápido e intenso. Alguns especialistas sugerem a possibilidade de correlação entre o grau de atrofia cerebral e a gravidade da demência.
Tomografia Computadorizada

As características de imagem da DA observadas à TC consistem em aumento volumétrico não hipertensivo dos ventrículos laterais terceiro ventrículo de até 2 vezes o tamanho normal, associado ao alargamento dos sulcos corticais. De Leon et al. (l989), descrevem alargamento significativo da fissura hipocampal nos pacientes com DA, correlacionando os achados de neuroimagem aos aspectos histopatológicos de perda neuronal nas regiões têmporo-hipocampais, estruturas cruciais para os processos de memória. George et al. (1990), através da detecção de atrofia da região hipocampal distinguiu corretamente 80% dos pacientes com DA. Nesse estudo, a identificação de indivíduos normais atingiu especificidade de mais de 95%, de modo que a ausência de atrofia temporal praticamente afastou o diagnóstico de DA.
O diagnóstico preciso de DA pela TC, no entanto, gera controvérsias pois atrofia cerebral e dilatação ventricular são achados inespecíficos e podem fazer parte do processo normal de envelhecimento. Além disso, o estudo das regiões temporais pela TC, é prejudicado por artefatos de imagem gerados pela incerface óssea associada à limitação no ângulo de incidência dos raios. Considerando que a DA apresenta predominantemente degeneração das estruturas da porção mesial dos lobos temporais, a análise de imagem obtida através da TC baseia-se na obtenção de sinais indiretos do comprometimento dessa região, como o alargamento das fissuras hipocampais e dilatação dos cornos temporais dos ventrículos laterais.
A presença de hipoatenuação difusa da substância branca periventricular está presente na DA porém não pode ser considerada como uma das características de imagem da doença pois é freqüentemente encontrada no idoso normal, recebendo a denominação de leuko-araiosis.



Resonância Magnética

Essa técnica de imagem é superior à TC na demonstração das alterações de imagem característica da DA, Sua capacidade multiplanar possibilita o estudo dos lobos temporais no plano coronal permitindo a visualização da dilatação dos cornos temporais dos ventrículos laterais e atrofia simétrica ou assimétrica das porções medial e lateral dos lobos temporais com dilatação da fissura coroidal-hipocampal. Essa dilatação correlaciona-se ao achado anátomo-patológico de atrofia do subículo e hipocampo, estruturas especificamente implicadas nos processos de memória. Seab et al. (1988) e Kesslak et al. (1991) realizaram a mensuração quantitativa das regiões hipocampais e parahipocampais através de RM de alta resolução. Ambos detectaram redução volumétrica hipocampal e do córtex entorrinal de até 40% dos pacientes com DA quando comparados aos controles normais. Além disso, o grau de atrofia hipocampal apresentou boa correlação com os escores obtidos no Mini-Exame do Estado Mental desses pacientes, sugerindo a possibilidade de utilização dessa técnica para o diagnóstico precoce de DA, antes do surgimento de alterações estruturais mais extensas. Utilizando essa análise volumétrica das regiões têmporo-hipocampais de pacientes com DA e de indivíduos-controle normais, Scheltens et al. (1992) obtiveram alta sensibilidade identificando 81% dos pacientes com DA e boa especificidade. detectando 67% dos controles normais. A atrofia estrutural têmporo-hipocampal é progressiva podendo estender-se para os lobos parietais e demais regiões corticais, acompanhando a deterioração cognitiva do paciente.
A RM pode, ainda, revelar a presença de pequenas lesões difusas de hiper-sinal na substância branca das regiões periventriculares nas imagens pesadas em T2, possivelmente conseqüentes a áreas isquêmicas que, no entanto, não são características próprias da DA e sua correlação com o grau de comprometimento clínico ainda permanece controversa (Kertesz et al., 1990); Harrel et al., 1991; Mirsen et al., 1991). Essas alterações estão presentes em idosos normais, geralmente com menor intensidade, e são mais sugestivas de demência por múltiplos infartos quando presentes em grau acentuado (Chimowitz et al. 1992). O mecanismo etiopatogênico proposto para essas lesões é a grande vulnerabilidade das pequenas artérias penetrantes hipotensão arterial.





Outras formas de Demência

Demência fronto-temporal

Esta forma de demência caracteriza-se por distúrbios comportamentais como impulsividade desinibição social, perda da capacidade de raciocínio, juízo e critica, distúrbios da afetividade, e redução progressiva da produção verbal, associados, em alguns casos, a doença amiotrófica do neurônio motor. Praxias e orientação espacial não se alteram. Ocorre na faixa etária pré-senil com início insidioso e curso lentamente progressivo.
Macroscopicamente observa-se atrofia geralmente simétrica das regiões fronto-temporais. As alterações microscópicas da substância cinzenta cortical consistem de perda neural, microvacuolizacão e moderada astrocitose nas lâminas corticais mais superiores (I a III), de localização preferencial na convexidade, frontal, córtex órbito-frontal, e porção anterior da região temporal. Não se detecta a presença de corpos de Lewy ou corpos de pick. A substância branca pode apresentar discretas áreas de glose e desmielinização.
A neuroimagem anatômica (TC e RM) revelam atrofia de localização fronto-temporal bilateral e geralmente simétrica com alargamento dos cornos anteriores dos ventrículos laterais. A RM pode demonstrar a presença de áreas de discreta gliose desmielinização da substância branca profunda das regiões frontais e/ou temporais com áreas de hiperintensidade de sinal nas imagens pesadas em T2. As regiões hipocampais costumam mostrar-se preservadas. SPECT e PET revelam hipoperfusão e hipometabolismo nas regiões frontais e/ou temporais de modo bilateral e simétrico.

Doença de Pick

E uma demência degenerativa de ocorrência menos freqüente que a DA, com curso clínico evolutivo inexorável médio de 2 a 5 anos. O sexo feminino é mais freqüentemente acometido. Inicia-se na faixa etária pré-senil usualmente com alterações da afetividade e do comportamento social. Distúrbios de memória podem manifestar-se desde o início da doença ou somente em suas fases finais. Com a evolução surgem distúrbios de marcha, alterações de linguagem até mutismo, abulia e apatia.
As alterações estruturais consistem de proeminente atrofia lombar ciscunscrita, simétrica ou assimétrica, de localização preferencial nas regiões frontais. Os giros acometidos apresentam intensa redução volumétrica tanto da camada cortical como da substância branca, com alargamento ventricular correspondente. Estruturas profundas como núcleo caudado, tálamo, globo pálido, substância negra pode também apresentar intensos sinais de atrofia. A microscopia revela severa perda neuronal e a presença de neurônios tumefeitos contendo corpos de inclusão citoplasmáticos argentofílicos, os corpos de Pick, marcadores da doença.
TC e RM revelam marcada acentuação dos sulcos corticais das regiões frontais e das fissuras silvianas com dilatação ventricular preferencial dos cornos anteriores dos ventrículos laterais. Os lobos parietal e occipital costumam apresentar-se relativamente poupados. O hemisfério esquerdo é mais freqüentemente envolvido que o direito.
Nas seqüências pesadas em T2, a RM demonstra áreas irregulares de hiper-sinal cortical e na substância branca dos lobos afetados, possivelmente conseqüentes à tumefação da população neuronal e gliose com destruição da mielina. Os métodos de neuroimagem funcional podem revelar acentuada hipoperfusão frontal bilateral, muito sugestiva de demência de Pick, e diferente da DA onde o comprometimento maior ocorre nas regiões mais posteriores .

Demência Vascular (DV)

Após a DA, doenças cerebrovasculares são a segunda causa mais comum de demência. Popularizam a denominação "Demência por Múltiplos Infartos" para a demência associada a infartos corticais ou subcorticais com redução do fluxo sangüíneo cerebral. Outra forma de demência vascular é a "Encefalopatia Arteriosclerótica Subcortical", caracterizada por déficit cognitivo progressivo associado a alterações vasculares subcorticais com relativa preservação cortical.

Demência por Múltiplos Infartos (DMI)

Caracteriza-se por déficit cognitivo de caráter evolutivo irregular, com início abrupto e períodos de estabilidade clínica. Todos os casos apresentam história prévia de um ou mais acidentes vasculares cerebrais. Sintomas e/ou sinais deficitários neurológicos focais são comumente observados e hipertensão arterial sistêmica está presente em praticamente todos os casos de DMI.
A patogênese é incerta. Estudos de autópsia realizados mostram que o volume total de tecido cerebral infartado é um dos principais fatores envolvidos. Achados de TC que comprovam o diagnóstico clínico de DMI incluem múltiplos infartos supratentoriais com um volume total de tecido lesado de, pelo menos, 50ml.

Tomografia Computadorizada

As imagens de TC consistem de múltiplas áreas bilaterais de hipoatenuação cortical ou subcortical, envolvendo particularmente o tálamo e núcleos da base, compatíveis com infartos isquêmicos distribuídos nos territórios de irrigação vascular cerebral. Dilatação ventricular supratentorial simétrica ou assimétrica associada a alargamento dos sulcos corticais causadas por alterações distróficas locais, e hipoatenuação difusa dos pólos ventriculares compatível com leucoaraiose podem estar presentes.

Resonância Magnética
As Imagens de RM, em especial as séries pesadas em T2, são mais sensíveis na detenção de insultos isquêmicos cerebrais que TC. Sua especificidade para DMI, porém, é baixa. Pacientes com doença cerebrovascular sem demência podem apresentar as mesmas características lesionais que aqueles com DMI, sendo impossível sua diferenciação apenas através de métodos de imagem. As áreas de infarto aparecem como lesões de hipo-sinal nas irnagens pesadas em T1 e de hiper-sinal nas imagens pesadas em T2. Podem acometer áreas corticais ou subcorticais de modo uni ou bilateral e respeitam os territórios anatômicos de irrigação arterial. Dilatação simétrica ou assimétrica dos ventrículos laterais e acentuação dos sulcos corticais estão presentes em graus variáveis.
Outras alterações observadas nas imagens pesadas em T2, como hiper-sinal difuso da substância branca periventricular e áreas de hiper-sinal esparsas nos centros semiovais podem estar presentes tanto em idosos normais como em pacientes com DA ou DV, favorecendo o diagnóstico de demência Mista quando estas duas últimas condições se associam.
Considerando que os métodos de neuroimagem funcional baseiam-se na detecção de alterações do fluxo sangüíneo cerebral, sua sensibilidade permite a identificação de áreas de isquemia antes que as alterações anatômicas sejam visualizadas pela TC ou RM. A especificidade dessas alterações, no entanto, é baixa, pois outros tipos de alterações neurológicas e psiquiátricas sem associação com demência podem determinar distúrbios no fluxo sangüíneo cerebral semelhantes àqueles encontrados nos pacientes com demência.

Demência Subcortical Arteriosclerótica (Doença de Binswanger)

Caracteriza-se por déficit de memória associado a outros distúrbios cognitivos lentamente progressivos e déficits neurológicos focais recentes. As alterações estruturais cerebrais incluem várias áreas de infartos isquêmicos da substância branca e infartos lacunares na projeção dos núcleos da base, de distribuição bilateral simétrica ou não. A microscopia revela acentuada arteríolosclerose na substância branca associada a áreas de desmielinazação e lesão axonal.
TC e RM revelam múltiplos infartos acometendo principalmente a substância branca e núcleos da base com relativa preservação do córtex cerebral. Essas lesões aparecem à TC como múltiplas áreas hipoatenuantes da substância branca periventricular e dos centros semiovais, e à RM como áreas correspondentes de hipo-sinal nas imagens pesadas em T1 e de hiper-sinal nas imagens pesadas em T2. Dilatação ventricular e acentuação dos sulcos corticais são achados inespecíficos comumente associados.
A avaliação de pacientes com quadro clínico mais severo através de neuroimagem funcional revela hipoperfusão cerebral difusa, sugerindo possibilidade de correlação entre a severidade da demência e o grau de redução do fluxo sangüíneo cerebral.

Doença de Parkison

A doença de Parkison é uma degeneração subcortical progressiva do sistema extrapiramidal caracterizada clinicamente por bradicinesia, rigidez e tremor de repouso. Distúrbios neuropsicológicos podem ocorrer em 20% a 90% dos casos caracterizando-se por déficit cognitivos do tipo subcortical com alentecimento progressivo dos processos rnentais, tendência a depressão e apatia em intensidade variável.
A alteração estrutural característica da DP é a intensa degeneração dos neurônios dopaminérgicos da pars compacta da substância negra com gliose associada a presença de corpos intracitoplasmáticos de Lewy.
A demência associada a DP não apresenta padrão de imagem específico. As alterações da TC e RM podem resumir-se a dilatação ventricular e acentuação dos sulcos corticais idênticas às do idoso normal.
Cerca de 17% dos casos podem mostrar aspecto de RM semelhante ao da DA, onde a intensidade das lesões não apresenta correlação com a severidade da demência. A alteração mais característica da DP, associada ou não a demência a redução volumétrica da pars compacta da substância negra com a presença de focos de hiper-sinal nas imagens pesadas em T2 possivelmente relacionada a perda neoronal e gliose.
A avaliação por neuroimagem funcional de pacientes com associação DP-Demência revela acomentimento de regiões extranigrais particularmente dos lobos frontais, coincidente com o padrão clínico frontal-subcortical de déficit cognitivo.

Doença de Wilson
Também denominada Degeneração Hepato-Lenticular, é uma doença de transmissão autossômica recessiva que se manifesta principalmente em adultos e jovens. Caracteriza-se por distúrbios do metabolismo do cobre, que se deposita em vários tecidos, particularmente fígado e cérebro, com típico envolvimento do núcleo lenticular.
Tremor, distonia e/ou coréia, distúrbios de marcha, rigidez, bradicinesia, déficit de coordenação e disartria, e a presença do anel corneano de Kayser-Fleischer são os aspectos clínicos típicos da doença.
Estruturalmente pode haver atrofia difusa em grau variável. A microscopia revela gliose, edema, necrose e microcavitações acometendo de modo simétrico o putâmem e, em menor intensidade, lobos frontais, núcleo denteado do cerebelo, ponte e mesencéfalo, globo pálido, núcleo caudado e tálamo. Essas lesões decorrem primariamente pela toxicidade do cobre e, por insultos isquêmicos posteriormente.
As alterações de imagem apresentam boa correlação com a severidade do quadro clínico. Pacientes sem sintomas neurológicos apresentam TC e RM normais na maioria dos casos. Pacientes com comprometimento avançado revelam hipoatenuação palidal bilateral à TC.
A RM demonstra áreas de hiper-sinal bilateral em tálamo, putâmen, núcleo caudado e tronco cerebral nas imagens pesadas em T2, possivelmente relacionadas a lesões neuronal e gliose. A Substância branca dos centros semiovais apresenta áreas assimétricas de hiper-sinal nas imagens pesadas em T2, possivelmente causadas por insultos isquêmicos. Há atrofia mesencefálica e alguns casos apresentam hiper, iso ou hipo-sinal do striatum nas imagens pesadas em T2. As áreas de hipo-sinal em T2 parecem ser causadas pelo efeito paramagnético da deposição do cobre ou de outro agente paramagnético com o ferro.

Coréia de Huntington

Essa doença neurodegenerativa caracteriza-se clinicamente por distúrbios de movimento, demência e distúrbios de comportamento. Inicia-se, geralmente, a partir da quarta ou quinta década de vida.
Atrofia córtico-subcortical difusa associada a perda neuronal intensa do núcleo caudado e putâmen, com resultante atrofia estriatal são as alterações estruturais mais características.
TC e RM não mostram alterações nas fases iniciais da doença. Os estágios intermediários revelam atrofia cortical de início nas regiões anteriores dos hemisférios cerebrais, estendendo-se para as áreas posteriores com a evolução da doença. Característicamente, as fases mais avançadas cursam com intensa atrofia da cabeça do núcleo caudado, o que determina abaulamento da borda ínfero-lateral dos cornos anteriores dos ventrículos laterais, que se tornam arredondados.
A capacidade multiplanar da RM permite a perfeita visualização dessa alteração, típica da doença, no plano coronal.
Alterações de sinal do striatum nas imagens pesadas em T2 revelam diferentes processos histológicos da mesma doença. Assim, hiper-sinal estriatal poderia ser causado pela perda neuronal, diminuição, diminuição das fibras mielínicas e gliose. O hipo-sinal estriatal pode traduzir o acúmulo local de ferro.

Demência associada ao vírus da imunodeficiência humana (HIV)


Principal causa da demência entre a população jovem e de meia idade, é causada pela ação direta do vírus sobre o SNC, embora outros agentes oportunistas que originariamente não seriam causadores de distúrbios neuropsicológicos possam causar alterações da esfera mental-intelectual.
As manifestações clínicas surgem nas fases avançadas da infecção pelo HIV, com comprometimento predominantemente subcortical. Com instalação sutil e progressão rápida. As alterações neuropsicológicas consistem principalmente de déficit de memória de evocação, redução da capacidade de concentração, abstração e planejamento, perda da libido, e alentecimento geral dos processos mentais e psicomotores. Distúrbios psiquiátricos com alterações da personalidade como apatia e inércia e depressão podem inaugurar o quadro. As fases finais caracterizam-se por disfunção neurológica global severa com mutismo acinético, incontinência esfincteriana e mutismo acinético.
As alterações estruturais comumente observadas incluem a atrofia cerebral a achados microscópicos difusos ou focais como células gigantes multinucleadas, ódulos microgliais, rarefação da mielina e desmielinização, gliose e perda neuronal cortical e dos números da base.
Os métodos de neuroimagem possibilitam a detecção e localização de lesões expansivas cansadas por infecções oportunísticas como toxoplasmose, linfomas, iptococose e abscessos tuberculosos ou piogênicos, embora muitas vezes seja a avaliação anátomo-patológica para a identificação do agente etiológico.

Tomografia Computadorizada


Permite evidenciar alargamento dos sulcos corticais e dilatação não hipertensiva do sistema ventricular compatível com atrofia córtico-subcortical. Sua sensibilidade para a detecção de alterações da substância branca, no entanto, é baixa, principalmente nos estágios iniciais da doença. Nas fases tardias os aspectos de TC podem incluir áreas hipoatenuantes de limites imprecisos, sem efeito compressivo ou realce por meio de contraste localizadas na substância branca dos hemisférios cerebrais, A correlação entre a intensidade das alterações tomográficas e a severidade do déficit cognitivo não está bem estabelecida, pois indivíduos soropositivos assintomáticos podem apresentar os mesmos padrões de imagem.

Resonância Magnética


Atualmente é o melhor método de imagem disponível, pois suas imagens pesadas em T2 apresentam grande sensibilidade na detecção de alterações da substância branca, freqüentemente acometida nesses pacientes.
Além da atrofia córtico-subcortical, a RM permite a visualização de lesões que caracterizam por áreas difusas de limites irregulares de hiper-sinal nas imagens pesadas T2. Essas alterações traduzem a palidez e rarefação da mielina observada aos assuntos anátomo-patológicos. Localizam-se mais comumente na substância branca das regiões periventriculares e centros semiovais. O corpo caloso e núcleos basais freqüentemente apresentam lesões irregulares de hiper-sinal em T2. Embora sejam alterações de imagem consideradas típicas da demência, as alterações da substância branca são inespecíficas, podendo estar presentes em, virtualmente, todos os tipos de processos neurológicos relacionados à infecção pelo HIV.

Os métodos de neuroimagem funcional como o SPECT revelam alterações difusas do fluxo cerebral, não especificando sítios lesionais.